Fernando Tordo: Duas noites inesquecíveis no regresso aos grandes palcos

 

Fernando Tordo comemorou 70 anos de uma vida única e 50 anos enquanto compositor de canções com dois espectáculos em Lisboa e Porto que tão cedo não esqueceremos. O Teatro Tivoli BBVA, no dia 18 de Abril, e a Casa da Música, na semana seguinte (27 de Abril), estiveram cheios e o público assistiu a actuações que transbordaram emoção.

De regresso ao seu país, o músico fez questão de celebrar este ano tão especial em casa e prometeu revisitar o seu vastíssimo e valioso repertório em palco. Canções mais antigas, canções mais recentes, todas elas com novas sonoridades, brilhantemente construídas e interpretadas pelo seu octeto. Uma formação de jovens e extraordinários músicos que acompanharam Tordo nestes dois espectáculos.

Pois se há muito não tínhamos a possibilidade de recordar a obra que Fernando Tordo construiu ao longo destas cinco décadas em palcos com dimensão equivalente à importância artística desse mesmo repertório, estas duas celebrações tiveram o condão de sublinhar que Tordo é um dos compositores mais relevantes do cancioneiro português e dono de uma voz inigualável. E se não há festa sem amigos, estes dois concertos contaram com a presença de muitos, quer na plateia, quer em palco.

No Teatro Tivoli e na Casa da Música, mais de duas mil pessoas recordaram inúmeras canções emblemáticas que de tão conhecidas já passaram a ser de todos nós.

No alinhamento destes concertos, o arranque deu-se com “Como se faz uma canção”, poema belíssimo do incontornável José Carlos Ary dos Santos, figura inevitável na obra de Tordo e com quem formou uma das duplas mais criativas da música portuguesa. Entre a interpretação dos temas, Fernando Tordo contou muitas histórias e memórias que marcam o seu percurso na música. E Ary, claro, foi por várias vezes lembrado.

Pelos dois palcos passaram vários músicos e amigos convidados, e algumas canções foram interpretadas na forma de dueto.

Em Lisboa, Anabela foi a primeira e interpretou a lindíssima “Balada Para Os Nossos Filhos”; Filipe Manzano Tordo, filho de Fernando e pianista clássico, acompanhou o pai em “Os Cantores da Minha Terra”; Marisa Liz (Amor Electro) cantou “Adeus Tristeza” e “O Amigo Que Eu Canto”; e Ricardo Ribeiro emprestou a sua voz em “Estrela da Tarde” e “Se Digo Meu Amor”.

No Porto, voltaram a marcar presença Anabela, Filipe Manzano Tordo e Ricardo Ribeiro, aos quais se juntou a voz doce de Rita Redshoes. Na Casa da Música, houve ainda tempo para homenagear o ilustre poeta portuense Vasco Graça Moura.

Ao longo de duas horas, o intérprete e exímio contador de histórias Fernando Tordo proporcionou ao público uma inesquecível viagem pela sua obra e uma bela celebração da canção em português.

E no final, entre a comoção e a alegria, público e artistas, em uníssono, cataram a lindíssima letra de “Tourada”, fazendo daquele momento uma memória daquelas que certamente perdurará para sempre.

 

Ver mais fotografias do concerto na Casa da Música (clicar aqui)

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